Histórico da MPS VI
A MPS VI foi descrita pela primeira vez em 1963 por Maroteaux, Lamy e colaboradores em um menino de 13 anos de idade que apresentava uma forma distinta de disostose. Os sinais e sintomas que ele manifestava eram: estatura extremamente baixa, características faciais dismórficas, opacidades corneanas, pescoço curto, hepatoesplenomegalia e anormalidades esqueléticas no tronco e nos membros. Esses achados pareciam condizentes com o diagnóstico de síndrome de Hurler (MPS I severa). No entanto, o menino tinha inteligência normal. Além disso, as análises laboratoriais revelaram excreção elevada de sulfato de dermatan urinário e ausência de sulfato de heparan elevado. Esses achados não correspondiam à síndrome de Hurler, o que levou os médicos a propor a existência de uma doença recém-diagnosticada — aquela que veio a ser conhecida como MPS VI. Com base nos antecedentes familiares do paciente, que incluíam pais não afetados, Maroteaux e Lamy deduziram que se tratava de um modo de herança autossômico recessivo1.
Em 1972, a deficiência hereditária da enzima arilsulfatase B (ASB) foi identificada como o defeito bioquímico subjacente à MPS VI2 O lócus do gene ASB foi mapeado no cromossomo 5 e, até hoje, foram identificadas pelo menos 45 mutações diferentes no ASB, associadas à MPS VI3,4.
- Maroteaux P, Leveque B, Marie J, Lamy M. [Nova disostose com eliminação urinária de sulfato de condroitina B]. Presse Med. 1963;71:1849-1852. Francês.
- Baron RW, Neufeld EF. A distinct biochemical deficit in the Maroteaux-Lamy syndrome
(mucopolysaccharidosis VI). J Pediatr. 1972;80:114-116.
- Litjens T, Baker EG, Beckmann KR, et al. Chromosomal localization of ARSB, the gene for human Nacetylgalactosamine-
4-sulphatase. Hum Genet. 1989;82:67-68.
- Litjens T, Hopwood JJ. Mucopolysaccharidosis type VI: structural and clinical implications of
mutations in N-acetylgalactosamine-4-sulfatase. Hum Mutat. 2001;18:282-295. Revisão.
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