Transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH)
Ao contrário das terapias paliativas, o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH) com o uso de células da medula óssea (TMO) ou sangue de cordão trata o problema subjacente da deficiência enzimática na MPS VI. Infelizmente, as dificuldades para encontrar um tecido compatível e as altas taxas de mortalidade limitam sua indicação. Mas para os pacientes que se submetem ao procedimento e têm sucesso, os benefícios podem ser significativos.
Macrófagos produtores de enzimas, provenientes do doador, podem ajudar a reduzir o excesso de GAG do paciente. Além disso, alguns pesquisadores supõem que a enzima seja transferida localmente das células do doador para os lisossomos das células do hospedeiro — por exemplo, os hepatócitos — facilitando ainda mais a redução do GAG1.
A experiência com o TCTH na MPS VI é limitada. Relatos de mais de 100 transplantes em pacientes com vários tipos de MPS (principalmente a MPS I) sugerem que o TCTH pode proporcionar diversos benefícios, dependendo do caso, entre os quais:
- normalização dos níveis de GAGs urinários2,3
- melhora do infiltrado facial2,3
- redução das organomegalias2,3
- redução da opacidade corneana, levando à melhora da visão2
- melhora da função pulmonar e contenção da obstrução das vias aéreas superiores4
- melhora da apnéia do sono5
- melhora da função cardíaca, com diminuição da hipertrofia ventricular esquerda5
- redução da secreção do ouvido médio3
- melhora da amplitude de movimento das articulações3,5
- melhora da mobilidade3
Limitações clínicas do TCTH
O TMO não está universalmente disponível devido à falta de doadores compatíveis, além de estar associado a substancial morbidade e mortalidade. O European Group for Bone Marrow Transplantation informou uma taxa de mortalidade relacionada ao transplante de 10% (antígeno de histocompatibilidade [HLA] idêntico) a 20%-25% (HLA incompatível) em 63 casos de transplante em pacientes com DDL6. Estudo recente de Stabe et al. sugere que células-tronco do sangue do cordão de doadores não aparentados podem ser transplantadas com sucesso em pacientes com síndrome de Hurler (MPS IH)7. Outros estudos serão necessários para determinar os efeitos desse procedimento no longo prazo em pacientes com síndrome de Hurler, bem como os possíveis benefícios do transplante de sangue de cordão em pacientes com MPS VI. Ao invés de TMO e transplante de sangue de cordão, a maioria dos pacientes recebe apenas tratamento para sintomas específicos e progressivos.
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- Neufeld EF, Muenzer J. The mucopolysaccharidoses. Em: Scriver CR, Beaudet AL, Sly WS, Valle D, eds. The Metabolic and Molecular Bases of Inherited Disease. Vol 3. 8ª ed. Nova York, NY: McGraw-Hill; 2001:3421-3452.
- Lee V, Li CK, Shing MM, et al. Umbilical cord blood transplantation for Maroteaux-Lamy syndrome (mucopolysaccharidosis type VI). Bone Marrow Transplant. 2000;26:455-458.
- Fletcher J, Pamula Y, Martin AJ. Reversing respiratory disease in MPS: lessons from bone marrow transplantation. Poster acessado em www.chempathadelaide.com.au.
- McGovern MM, Ludman MD, Short MP, et al. Bone marrow transplantation in Maroteaux-Lamy syndrome (MPS type 6): status 40 months after BMT. Birth Defects Orig Artic Ser. 1986;22:41-53.
- Hoogerbrugge PM, Brouwer OF, Bordigoni P, et al. Allogeneic bone marrow transplantation for lysosomal storage diseases. The European Group for Bone Marrow Transplantation. Lancet. 1995;345:1398-1402.
- Staba SL, Escolar ML, Poe M, et al. Cord-blood transplants from unrelated donors in patients with Hurler's syndrome. N Engl J Med. 2004;350:1960-1969.
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